Entrevista completa de Rihanna para a Glamour
Posted by Anónimo in on 12:14

Como informámos, Rihanna é a capa da edição de Setembro da revista Glamour (vê os posts anteriores para conferires a sessão fotográfica e o vídeo dos bastidores). Lê agora a entrevista completa traduzida:
Rihanna gosta de estar no controle.Tanto que o seu empresário lhe deu uma solução fácil para reduzir a nossa pequena entrevista: a nossa conversa vai ser numa camioneta, no caminho para a sessão fotográfica da Glamour até ao seu apartamento; uma pequena distância. Mas ela continua a falar – francamente e por vezes divertida, e em vez de parar na porta da frente do seu apartamento, ela pede para que o seu motorista continue a dar voltas no quarteirão, inúmeras vezes, e nós continuamos a conversar.
O que vem completamente à cabeça mais do que qualquer coisa é uma história de transformação: em fevereiro de 2009, Rihanna sofreu uma agressão por parte de Chris Brown e, consequentemente, o aumento de "fofocas". Foi doloroso perder o controlo da sua história e imagem desta maneira, diz-me ela. Determinada a não deixar acontecer novamente o mesmo, ela apareceu como a arquitecta do seu próprio fascinante retorno. Nos seus reveladores álbuns Rated R e Loud, no Twitter (e, a partir de meados de Julho, a mulher mais popular do Facebook), na escolha dos figurinos e em entrevistas como esta, Rihanna reinventou-se, sendo ela mesma. “Toda a minha vida mudou à alguns anos atrás. Foi quando eu decidi deixar a minha armadura cair completamente”, diz ela enquanto bebe uma cerveja mexicana e vê a cidade a passar através da janela. “Há liberdade na honestidade. Se tu encarares hoje, amanhã podes mover-te para algo novo.” Aqui está Rihanna, muito honesta.
Glamour: Queria-te mostrar esta lista: o teu total de músicas que foram número 1. Tu tiveste 10 e és a artista mais jovem a alcançar essa marca, superaste a Mariah Carey! Além disso, és a cantora que alcançou esta marca mais rapidamente na história da Billboard.Rihanna: Wow! Isto é meio surpreendente! Eu nunca vi esta lista estabelecida assim desta maneira. É meio alucinante. Eu apenas tento ser muito, muito apreciativa.
Glamour: Podes superar o recorde dos Beatles?Rihanna: Aparentemente, eu estou a chegar lá [risos]. Se não conseguir, ainda estou em boa companhia.
Glamour: O teu estilo tornou-se mais agressivo junto da tua música. Pensas nos dois numa forma conjunta?Rihanna: Sim, e não penso num sem o outro. A minha música definitivamente determina a direcção que vamos seguir. É como música, moda, cabelo, maquilhagem – nesta ordem.
Glamour: Há muitas celebridades que fazem sucesso e perdem o controlo. Contigo, a partir do momento em que cortaste o cabelo, tu disseste “Não, eu estou no controle do que estou a fazer”.Rihanna: No início da minha carreira foi muito restrito para mim. Eu não podia usar batons cor-de-rosa ou vermelho, era bizarro. Nós tínhamos fãs muito jovens e tentavam manter-me moderna. Mas eu só queria ser eu mesma. Queria ser atrevida, ter atitude, tudo o que agora sou.
Glamour: A tua sonoridade continua a evoluir também, e as letras das tuas músicas continuam a ficar mais complexas e brutas.Rihanna: Foi importante para eu crescer. A primeira vez que eu agarrei as rédeas da minha carreira criativamente foi com o Good Girl Gone Bad. Logo a seguir veio o Rated R e foi aí que eu percebi: OK, os meus fãs amam a música, agora eu preciso tornar-me um pouco mais profunda com eles, tornar-me mais vulnerável, abrir-me.
Glamour: Essa mudança para as músicas mais pessoais veio depois de tudo o que aconteceu com o Chris Brown, e nesse mesmo tempo tu passaste a utilizar o Twitter e descobriste uma conexão diferente com os teus fãs.Rihanna: Definitivamente. Foi por isso que me juntei ao Twitter. Eu pensava: “O Twitter é muito idiota – por que iria eu querer que alguém soubesse algo mais sobre mim?”. Mas era fácil para que os meus fãs acreditassem em tudo o que eles ouvissem sobre mim – em sites, blogs, rumores – porque eles não estavam a ouvir muito directamente de mim. Agora eles não acreditam mais nos rumores, porque eles conhecem-me.
Glamour: Quando tu seguiste o Chris Brown no Twitter, o mundo todo enlouqueceu e tu apareceste e disseste: “É apenas o Twitter, não o altar!”. O que foi isso?Rihanna: Isso é algo que as pessoas adorariam que fosse algo maior do que é, e eu acredito que é apenas algo que terei de conviver pelo resto de minha vida, infelizmente.
Glamour: Tens letras que eu amo no Rated R: “While you’re getting your cry on, I’m getting my fly on.” [Em português, algo como: ”Enquanto tu estás a começar a chorar, eu estou a começar a ficar estilosa”]. Isso pareceu-me como a melhor letra sobre terapia de compras.Rihanna: Tu estás certa. É uma terapia de compras sim, mas também é uma linha muito má, muito pretenciosa, muito arrogante. Em partes é uma personagem.
Glamour: Parece que quando vocês interpretam personagens – como o Eminem no dueto controverso em “Love The Way You Lie” – ninguém pensa que aquele é realmente o Eminem. Mas parece que quando tu fazes uma música desse tipo, todo mundo pensa que és a verdadeira Rihanna.Rihanna: Absolutamente. E agora eu sou bastante cuidadosa a respeito das letras que canto por causa disso. Rated R foi um álbum que se tornou muito real, muito honesto. Após isso, é difícil voltar a fazer músicas que são ficção. Não tinha volta.
Glamour: Ouvi dizer que as letras dramáticas do teu sucesso “S&M” são tanto metafóricas quanto literais.Rihanna: Sim! Eu não tinha ideia do quão próximo S&M era de mim, talvez até à cinco meses atrás. Quando eu estava a cantar, era uma música divertida, e eu a direccionei para a minha relação de amor e ódio com a imprensa, mas foi muito além e eu nem sequer percebi. Então comecei a juntar as peças do puzzle e a ver como tem relações com a minha infância e como isso me pode afectar na minha vida adulta.
Glamour: Está a falar sobre o teu pai? (Ronald Fenty teve problemas com drogas e saiu de casa quando Rihanna ainda era uma adolescente).Rihanna: Nesta música com certeza que sim. Eu diria que a minha relação com meu pai teve um impacto maior do que eu pensava. Até com as coisas que eu gosto, as coisas que me atraem. Muitas delas parecem provir das coisas que eu vivenciei quando era criança.
Glamour: Isso significa que tu naturalmente procuras problemas? És atraída pelo drama?Rihanna: Sim e não. Eu odeio drama. Mas ao mesmo tempo, nada me incomoda mais do que quando a vida está perfeita. E esta é a parte chata. Eu adoro um desafio, seja ele num relacionamento, na minha carreira, nas roupas… Como vestir-se: quero escolher os calções mais bizarros para que eu possa descobrir como fazê-los parecer bonitos, ou então vestir roupas que façam as pessoas pensar: “Que diabos é que ela está a vestir?”. Sabes, qualquer que seja ele, um desafio é sempre emocionante para mim.
Glamour: Disseste que quando tinhas coisas difíceis a acontecer com a tua família durante a tua infância, cantavas músicas das Destiny’s Child e Mariah Carey. O que mais?Rihanna: Celine Dion, Whitney Houston...
Glamour: Agora todas estas jovens raparigas estão a cantar as tuas músicas. Qual esperas que elas estejam a cantar?Rihanna: “Fire Bomb” é uma das minhas músicas favoritas. É doloroso já que nunca foi single. Não é a mensagem mais positiva, é apenas honesta. É sobre o desejo de vingança, porque sentes como se ninguém pudesse entender o que estás a sentir ao menos que tu o queimes da mesma maneira que ele te queimou. E era um momento onde eu realmente não queria estar brava, mas não pude evitar, e Fire Bomb foi como uma música terapêutica para mim.
Glamour: Nos dois últimos álbuns, estás aberta sobre o quão confusa a vida é.Rihanna: Eu acho que a honestidade é a maior libertação na vida. As pessoas querem fugir da verdade e varrer o lixo para debaixo do tapete. Mas, após um tempo, o lixo estará ainda pior e estarás frente a ele novamente. Se encarares hoje, amanhã podes mover-te para algo novo. Isso lembra-me o filme 8 Mile, quando o Eminem cantava em forma de rap tudo de ruim que poderiam falar dele. Isso dá-lhe liberdade, porque o que é que eles vão falar sobre ti agora?
Glamour: No videoclipe de “S&M” aparecem palavras ofensivas no cenário.Rihanna: Isso sou eu a tirar divertimento das coisas absurdas que ouvi e li sobre mim.
Glamour: Uma dessas palavras é “vadia”. Isso parece-se com algo que as adolescentes podem se identificar – como se uma mulher tiver relações sexuais e surgir notícias sobre isso, ela é repentinamente uma vadia.Rihanna: Eu não quero promover os adolescentes a fazerem sexo. Mas a realidade é que está a acontecer e eles são jovens demais para entender que precisam de ser muito cuidadosos. Isso é uma grande batalha para mim porque eu tenho 23 anos e muitos fãs meus são 8 anos mais jovens, por isso é uma espécie de cabo de guerra. Eu quero dar o exemplo certo e ao mesmo tempo viver a minha vida. Eu acredito que as ‘estrelas da pop’ não podem mais ser ‘estrelas do rock’, pois elas devem servir como modelos, e isso tira a nossa diversão, porque nós queremos divertir-nos com a arte.
Glamour: O gerente da XL Recordings, Richard Russel, que também é gerente da Adele, disse que videoclipes iguais aos de “S&M” são “porno falso”.Rihanna: [Risos] Porno falso? Será que ele já viu algum porno? Se ele pensa assim, obrigado. Quer dizer, caramba! Vou encarar isso como um elogio. Foi só um beijinho na bochecha, mas e se ele teve uma erecção? De nada, então.
Glamour: Ah! Vamos analisar a tua música, S&M. “Sticks and stones may break my bones, but whips and chains excite me.” (“Paus e pedras podem quebrar os meus ossos, mas chicotes e correntes excitam-me”).Rihanna: Eu estou apenas a tirar divertimento de blogs e rumores. Costumava-me incomodar, mas hoje é tipo: “Eles chamaram de vadia ontem no site, hoje chamaram-me de idiota – não é tão ruim!”. Não é aceitável, mas não podes fazer nada quanto a isso.
Glamour: Ok, essa é a metáfora. Por outro lado estás a falar livremente sobre sexo. Qual o significado literal? Tu gosta de gajos dominantes?Rihanna: Claro que eu prefiro um gajo dominante. Eu sou muito dominante na vida, em todos os aspectos. E, em alguns momentos, sinto que ainda devo ser uma dama. É nesse momento que um rapaz realmente pode ser um homem, e eu posso ser a mulher. E, se eu for dominante na cama também, não sobra nada para mim.
Glamour: Sendo um exemplo para as pessoas, é difícil dizer isso?Rihanna: Sim, é difícil, mas eu estou aqui a falar como uma pessoa de 23 anos, a dizer que eu assumo um comportamento adulto. Eu não estou a falar para os fãs de 5 anos de idade que ouvem “What’s My Name?”.
Glamour: Na tua entrevista para a Glamour em 2009, dizes não saber o quanto as tuas decisões poderiam afectar os teus fãs.Rihanna: Definitivamente foi um grande toque de despertar para perceber o impacto que eu tenho nos jovens. Também fez sentir-me um pouco mais próxima deles. Vivemos vidas diferentes, mas temos muitas experiências semelhantes. Eles confiam nas coisas que eu digo porque vem de alguém semelhante, não dos pais. É nessa hora que tems que vestir a camisa e ser um exemplo… Eles sabem que tu és tão rebelde quanto eles, então se tu dizes que algo é errado, é com certeza errado.
Glamour: Eu estava a tentar entender a diferença entre os Little Monsters da Lady Gaga e a Rihanna Navy – o nome que deste ao teus fãs. A Gaga chama a si mesma de “Mãe Monstro”. Eu não te vejo dizer que és a figura materna...Rihanna: Não, porque eu não os vejo como meus seguidores. Nós somos iguais. Eles estão aqui comigo. Eu preciso mais deles do que eles de mim. Eu preciso do suporte deles, preciso da honestidade deles e preciso do apoio deles. Sem isso, é inútil. Eu respeito-os muito, muito mesmo.
Glamour: Eu entrevistei o actor Taylor Kitsch e ele disse que tu estás incrível em Battleship (o filme da tua estreia previsto para ser lançado em meados de Maio de 2012), a fazer as tuas próprias cenas perigosas, “aniquilando tudo no seu caminho”.Rihanna: Isso faz-me parecer incrível. O Taylor é óptimo. Eu não sabia nada sobre representação. Eu fui para lá de braços cruzados. E o Peter Berg (realizador do filme) é incrível. Ele é louco, o que funciona comigo. Eu dou-me bem com loucos. Quero fazer mais filmes, claro.
Glamour: Vamos falar sobre as tuas colegas do mundo da música. É um pacote apertado, certo?Rihanna: Sim, é um pacote. Somos eu, a [Lady] Gaga, a Katy [Perry], a Beyoncé… Quem mais? Ke$ha, claro. As mulheres estão a dominar a música neste momento, e isso é porque somos competitivas. A música não tem sido tão emocionante assim à algum tempo.
Glamour: Tu e Katy Perry são amigas, certo? Planeaste a despedida de solteira dela quando se casou com Russel Brand. Mas ao mesmo tempo vocês competem no mundo da música.Rihanna: A Katy é demais! Sinceramente, eu amo aquela rapariga. E quando eu a conheci era um momento onde eu não estava a conversar com muitas mulheres além das que trabalham comigo e a minha melhor amiga. Eu sempre fui assim, por toda a minha adolescência até agora.
Glamour: O teus amigos são na maioria homens?Rihanna: Para ser completamente honesta, todos os meus amigos são homens. Mas quando eu a conheci foi um alívio. Eu não podia acreditar que ela não tinha um botão para editar. Ela era tudo que eu queria como companhia naquele momento, porque eu estava num momento da minha carreira onde precisei de me editar e não ser muito aberta. A minha vida mudou completamente à uns anos. E foi exactamente aí que derrubei a minha armadura… A Katy e a Gaga surgiram exactamente da maneira que elas imaginam, da maneira que se querem vestir, que querem falar.
Glamour: Tu competes com elas, mas existe respeito.Rihanna: Absolutamente. Eu só as vejo como competição se eu realmente as admiro. Estas mulheres são uma verdadeira competição!
